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Gosto dos engarrafamentos. Eles me trazem a proximidade da lição de que o caminho pode não se concluir como espero. Eles põem em risco a ilusão de que chegarei, no tempo desejado ou planejado, ao destino desejado ou planejado. Eles põem em questão se chegarei conforme minha intenção ao sair de onde estava. Ali, exatamente onde sou obrigada a ficar parada, pode ser o meu destino - meu ponto de chegada – e não somente uma parte, que nem seria percebida, do espaço entre o 'onde eu estava' e o 'onde pretendo chegar'. Os engarrafamentos me aproximam da constatação de uma lei da vida: depois de nascer, morrer é destino inevitável, mas não sei exatamente em que momento o meu morrer me alcançará. Os engarrafamentos também abalam minha relação com o espaço e o tempo e isso é revelador. Eles me obrigam a andar bem devagar sobre o espaço, a ficar mais tempo em determinados lugares. E, quando 'tudo' do lado de fora está parado ou lento, sou obrigada a parar de olhar para fora e olhar para dentro, dentro de mim, e perceber que não tenho como sair ou escapar de onde estou. Neste instante, a realidade se revela inexorável: correndo, andando ou parada, não importa, estou sempre onde estou e ponto final. P.S. essa é apenas uma das muitas viagens que me visitam e por onde me deixo ir nos engarrafamentos...
Escrito por Fátima Guimarães às 15h22
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Esse ano estamos comemorando 25 anos de casados... Bodas de Prata De dia, sempre atravessamos a rua de mãos dadas. Algumas noites, deitada, na solidão que o escuro traz, minha mão procura a sua. Sinto sua mão quente de homem me aquecer, aceitando, novamente, minha mão em casamento. Noutras noites, sou eu que lhe recebo, acolho e confirmo que somos um par. Assim, depois de cruzarmos nove vezes 1001 noites, a nossa história continua e, de mãos dadas, seguimos atravessando dias, ruas, escuros e saudades...
Escrito por Fátima Guimarães às 22h01
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