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Um dos pais do blog
Depois do post do parto, recebi um e-mail que falava da minha coragem. Uma fala desse e-mail ficou ressoando e ressoando aqui dentro, ela dizia, “Você é uma ‘mulher integral’, não desnatada”. O remetente era Cesar Garcia Lima, o segundo pai deste Quarto com Baú. Acabei ‘desnatando’ o post do parto com a retirada de algumas fotos – acolhi a sugestão do primeiro pai, o outro César – mas continuei totalmente tocada com aquela descrição de mim. É assim a escrita de Cesar, sempre me toca, me surpreende, traz algo novo.
Nosso primeiro encontro foi em fevereiro deste ano, quando fui ao Rio de Janeiro fazer uma oficina de redação criativa. Ele era o professor. Era uma oficina de quatro dias e nos dois primeiros ele trouxe a parte mais teórica, deu conceitos e mandava a turma escrever. Gente, eu fiquei travada, decepcionada! A rebeldia começou a me cochichar coisas do tipo: ‘isso é curso!’, ‘eu não queria isso’, eu não vou conseguir escrever nada’, o que eu estou fazendo aqui?’ ‘eu?escritora? é delírio!’, e por aí foi a coisa. No terceiro dia ele chegou com um cd de Helena Meireles e colocou para a turma. Fui escutando e me emocionando, do meio pro fim eu só prestava pra chorar. Eu era puro sentimento. Terminou o cd, ele desligou, tentei disfarçar a cara de choro e ouvir a orientação do dever de casa: criar um texto em forma de linguagem oral. Pronto. Aí destampou minha escrita e nasceu um texto sobre minha Vó Maria. (postando neste blog no dia 13/09/2004). Descobri que preciso estar mais perto do sentimento que do intelecto para que a escrita flua. Mas o curioso é que as informações com que eu tanto impliquei nos primeiros dias foram se encaixando e fazendo a coerência do texto. Parei com a implicância e, na última aula, eu já estava convidando Cesar pra uma oficina em Salvador. Ele topou.
E-mail vai e e-mail vem, em maio estávamos aqui, numa nova oficina. Eu não cabia em mim de feliz. Cesar de novo nos surpreendeu a todos. (Vale dizer que nesta turma reuni umas pessoas muito queridas, entre elas meu pai e César Oliveira.) Num exercício ele colocou uma música de Adoniram Barbosa, que pra variar, me emocionou muito. No intervalo eu disse, ‘essa música “me pegou”, parece que há coisas que a gente só pode dizer quando a pessoa morre’, falei isso segurando o choro e ele me confessou, ‘também estou com muita vontade de chorar’. Todos sabem como nós mulheres somos chegadas a confidências, aí gostei ainda mais dele.
Assim começou uma amizade que já me fez chorar com um cartão virtual, e dar muitas gargalhadas conversando, altas horas da noite pelo MSN. E este é Cesar, um jornalista por acidente e sobrevivência, pois ele, de verdade é poeta. Seus dois livros publicados confirmam. Seus dois livros em processo de publicação, também.
É muito bom quando a vida providencia uns encontros tão ricos, cheios de troca e afinidades. Sabe aquela sensação de já conhecer a pessoa há um tempão? Pois é essa a que tenho. O fato de ele ser aquariano ajuda na sua conversa fácil e agradável. Sempre agradável. Isso tem me feito escrever mais e me põe mais perto da minha meta de ‘livro, um dia’.
Ah, como é bom ter amigos!
Escrito por Fátima Guimarães às 22h25
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